quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dilma descobre as crianças ou, devagar com o andor que a santa é de barro!

'Cuti-cuti-cuti nenê lindo da tia, fala Dil-ma, Diiiil-ma'... 'Lu-la, Lu-la, Lu-la!'
Omedo do PT de perder o mandato no segundo turno tem operado verdadeiras proezas na candidata do partido governista. Após toda a remodelagem estética para tirar de cena aquele ranço de professora mal humorada de universidade pública, plásticas, remake de cabelos, sobrancelhas e abandono dos óculos, algum outro processo operou na candidata, com vistas ao segundo turno. Na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, afirmou que sofreu esse outro “processo” sem, no entanto, explicar qual foi.
Na reveladora entrevista dada aos camaradas do ‘pasquim’ Pasquim, em 7 fevereiro de 2002, em um certo trecho Lula afirma:
Marilda - Como é que você está pretendendo brigar com Roseana, com o Garotinho, pra pegar esse eleitorado insatisfeito?
Lula - Nós vamos ter que fazer uma disputa. Eu sou um candidato que tenho uma certa dificuldade de ser vendido como produto...
Marilda - Graças a Deus, né?
Lula - Graças a Deus pra nós, que temos consciência política. Mas muitas vezes o nosso discurso, mais ideológico, não atende às expectativas do telespectador. Eu tenho dito pra todas as pessoas que trabalharam comigo, em 89, em 94, em 98 e agora disse pro Duda Mendonça: "Eu sou um ser político, quero ser vendido pelas minhas idéias, não quero ser um objeto". Qualquer um pode ser falsificado; eu não posso. Não posso e não quero. Tenho orgulho da minha origem, da minha história. Se eu tiver que ser presidente, vai ser assim. Se eu tiver que vender uma imagem que não é a minha, então não serei eu o candidato. Se quiserem alguém diferente, alguém que fale assim ou se vista assim, então não sou eu o candidato. Essa será a primeira campanha a ser feita de forma profissional.
Típico de Lula, desdiz na explicação o que afirma na introdução. E, ao final da campanha, age como o marketeiro Duda Mendonça decide, levando-o à vitória de 2002. O que importa é ganhar a eleição. Oportunismo é, de uma vez por todas, rebatizado de “pragmatismo”.
Mas Dilma, aprendiz de Lula, tem sido muito mais rápida nas readequações de discurso, rápida demais. Tendo o partido avaliado que o discurso pró-liberação do aborto seria ponto negativo, tornou-se defensora pró-vida logo em seguida. Para ser mais abrangente na cobertura do risco, apressou-se a aproveitar o dia de Nossa Senhora para aparecer como beata ao lado de um Chalita e de um Gilberto Carvalho, tentando talvez agradar à Renovação Carismática Católica e à Teologia da Libertação Marxista. Alterou o programa de TV e inseriu em sua biografia um 'sólida formação religiosa' - tão sólida que afirmou ao apresentador Ratinho que acredita em Deus utilizando o surrado clichê materialista e impessoal de 'energia ou força superior'. 
Só uma mente perversa imaginaria Dilminha crescida, de sólida formação religiosa pegando em armas, participando de sequestros...
No mesmo dia em que se comemora o dia das crianças, troca sua foto do perfil do Twitter para quando era petiz e convoca seus seguidores a enviarem suas fotos de criança, essas coisinhas lindas, símbolos da esperança do futuro de um Brasil que Lula nos deixou. Explode, coração!
Ora, em duas semanas, indo da prepotência arrogante à semicarolice, do nariz empinado de tecnocrata à Filha de Maria wannabe, da defensora da ideologia abortista à apaixonada por crianças, tá na cara que é produto do samba do marketeiro doido. Flip-flop é o nome que dão os americanos a esse fenômeno, que lembra biruta de aeroporto, orientando-se de acordo com os ventos do momento.
Agindo assim, o marketing da campanha de Dilma não esconde o desprezo pelo que eles acreditam ser “as camadas de baixa escolaridade e baixa renda”, acreditando não passarem de seres teleguiados pela mídia, pelas pesquisas e pelo medo.
Não, não são. Aliás, pela frequente mudança de posturas e discursos, quem parece mesmo estar sendo teleguiado por esses fatores são os coordenadores da campanha petista.

Ratinho esperto...