quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Nova onda de imigração alemã

Nova onda de imigração alemã:
O Salão de São Paulo tem como destaque os lançamentos de grande volume, carros que vão vender dezenas de milhares de unidades logo no primeiro ano e que, em alguns casos, já podem ser vistos nas concessionárias ou pelas ruas. Porém, os carrões são o grande destaque e poucas marcas levaram mais novidades do que as alemães. Vamos nos concentrar na trinca Audi, BMW e Mercedes-Benz.

A grande onda de migração alemã já ocorreu há muito tempo no Brasil. Porém, quando o assunto é automóvel, o processo de naturalização está em pleno andamento. A BMW confirmou seus planos de produção no mercado nacional e a nova fábrica de Santa Catarina, enquanto a Mercedes-Benz promete novidades nacionais e a Audi também pensa em reutilizar a planta de São José dos Pinhais (PR).

Audi – Puxando o S


A Audi tem a pretensão de imperar no mercado de luxo brasileiro. Só que, embora os sedãs médios premium façam a cabeça de todos, os hatches metidos são os carros que vão garantir isso. A marca sabe disso e trouxe a terceira geração do A3 ao Brasil. O médio tomou emprestado do A1 o motor 1.4 TFSI de 122 cv e, no lugar do 2.0 TSI, virá equipado com o 1.8 TFSI de 180 cv. O modelo Sport de três portas chega em janeiro, porém o A3 Sportback já foi exibido e chega em seguida.

Claro que, se fosse para escolher um hatch Audi do estande, eu ficaria com o A1 quattro. É como ver um Ur-Quattro moderno e, a tomar por alguns detalhes da caracterização (como a tampa traseira com seção preta) o bichinho é um parente próximo. O que o define mesmo é o conjunto mecânico. O A1 com motor 1.4 TFSI de 185 cv parece bravo? Esse aqui tem o conhecido 2.0 TFSI calibrado para 256 cv de potência e 35,7 kgfm de torque disponível já a 2.500 giros. Obviamente, a tração é integral quattro (de funcionamento diferente da original, mas grife é grife) e o câmbio é manual de seis marchas. Vai aos 100 km/h em 5,7 segundos e fica nos 245 km/h. Das 333 unidades produzidas, somente duas virão para o Brasil e estão, aparentemente, vendidas por cerca de R$ 250 mil.

Uma pechincha perto do animal alfa do estande: o Audi R8 GT Spider, que chega com 100 kg a menos e motor V10 5.2 mais potente de 560 cv que baixa a arrancada aos 100 km/h para 3,8 s e chega aos 317 km/h. São apenas dois no país e já foram comprometidos, mesmo com a etiqueta de preço de R$ 1,2 milhão.
Há opções mais “baratas”. O S6 e S7 chegam por, respectivamente, R$ 450 mil e R$ 500 mil. Ambos contam com o mesmo V8 4.0 biturbo de 420 cv de potência e 56 kgfm de torque. Com o oito cilindros, o S6 parte da imobilidade aos 100 km/h em 4,8 segundos (0,1 s a mais no S7) e fica nos 250 km/h limitados eletronicamente. O S8 é o s maiúsculo por assim dizer. É daqueles que ignora tamanho e peso graças ao motor, o mesmo dos irmãos menores, só que ajustado para 520 cv e 66,2 kgfm de torque. Pode dar trabalho para um R8, levando apenas 4,2 s até os 100 km/h, e cobra R$ 700 mil pelo privilégio de se ter uma limusine sleeper.

 BMW – M & M


A principal notícia da marca alemã estava a mais de 600 km do Anhembi: a fábrica de Araquari (SC) onde serão construídos o Série 1 e o X1. Para os fabricantes de automóveis de luxo, o segmento dos hatches está bombando, como a Audi e Mercedes também sabem. E os crossovers são símbolos de quem está subindo na vida.
Deixando as notícias da editoria de economia de lado, o que nos interessa mesmo são alguns modelos excitantes exibidos pela primeira vez no evento. O 650 Gran Coupé chegou na carroceria quatro portas. O modelo conta com o V8 4.4 renovado com dois turbos entre o V e 445 cv de potência e 66,3 kgfm, o que permite ir aos 100 km/h abaixo dos 5 s e chegar aos 250 km/h.
A marca também trouxe o 335i e a versão ActiveHybrid. Pode não ser a versão que mais faz a cabeça dos gearheads, que logo vem a palavra híbrido e pensam em modelos politicamente corretos como o Toyota Prius. Calma, esse aqui tem o clássico seis cilindros 3.0 que trabalha conjugado com um motor elétrico para despejar 340 cv (o motor convencional fica nos 306 cv) e 40,8 kgfm nas rodas traseiras. O consumo é de 16,9 km/l e as emissões ficam em 139g/km de CO². O motor elétrico pode levar o sedã até os 75 km/h. Porém, se for dirigido como merece, pode ir aos 100 km/h em 5,3 segundos.

A letra M foi das mais repetidas no estande. O Série 1 chegou à versão mais apimentada M135i. Achamos o 1.6 THP da BMW-PSA um motorzinho dos mais competentes. Porém, perto da tradição dos seis em linha, os ursos polares ficam em segundo plano nas nossas cabeças. O 3.0 turbo entrega 320 cv e 45,8 kgfm de torque, equipado com câmbio automático de oito marchas. O hot hatch por definição cruza os 100 km/h em 4,9 s e fica nos 250 km/h.

O M5 é velho conhecido dos Jalopers e está lá junto com o M6, ambos equipados com o mesmo V8 4.4 biturbo de 560 cv e ignorantes 69,3 kgfm de torque. É a senha para ir aos 100 km/h em 4,2 s. A velocidade máxima limitada a 250 km/h pode dar lugar a um novo limite para meninos, que vai até os 305 km/h.

 Mercedes-Benz – Mudanças de classe


Como as rivais, a marca estuda a produção nacional. A marca já tem as fábricas de Juiz de Fora (MG), onde foi feito o Classe A, e de São Bernardo do Campo (SP), ambas usadas para os veículos comerciais. Como antes, a marca quer produzir carros menores no país. Mas não exatamente o Classe A e sim seus derivados. Caso do sedã CSC, que fez escala como conceito no Salão de Paris antes de pintar por aqui, afora um crossover feito na mesma plataforma – ainda não apresentado. Ambos devem chegar a partir de 2014.

Os novos Classe B e ML já haviam sido apresentados para a imprensa, enquanto a chegada do Classe A foi marcada para março de 2013. O grandalhão ianque GL também só faz sua estreia no ano que vem. Já o GLK foi apenas renovado. Então as principais novidades de corpo presente são da linha AMG. A nova geração do SL veio na versão 350 e na mais brava 63 AMG. Ao contrário do que diz a sigla, o modelo conta com o V8 5.5 biturbo na configuração mais potente de 564 cv e… 91,7 kgfm de torque. Mesmo mais corpulento que o SLS, o SL aposta nessa força bruta para ir aos 100 km/h em 4,2 s. Em 12,6 s, tempo que muito sedã médio automático leva até os 100 km/h, ele cruza os 200 km/h. O limitador é elevado até a risca dos 300 km/h. Como de costume nos AMG vendidos sob encomenda, a tabela de preços é em dólares: us$ 399 mil, o equivalente a R$ 808 mil.
Os grandalhões ML de nova geração e o clássico G também vestiram a camisa da AMG. O Geländewagen usa o mesmo V8 biturbo do roadster com 543 cv e 77,4 kgfm de torque. Mesmo tendo a aerodinâmica de uma casa, o jipão vai aos 100 km/h em 5,4 s e fica nos 210 km/h – imagina só se fosse além disso!

Claro que não poderia faltar o SLS. O superesportivo já vendeu mais de 150 unidades no mercado nacional. Se tem dinheiro rodando assim, nada melhor do que elevar a barra. A marca estreou no evento a série do SLS AMG que comemora os 45 anos da divisão, um bólido criado para correr na categoria GT3 e que custa mais de R$ 1 milhão. São apenas cinco unidades feitas no mundo e uma delas já chegou vendida.